O desespero tomou conta do coração de Laila, e se seu príncipe ficasse zangado e nunca mais quisesse vê-la novamente? E ainda por causa de Zé Roberto? Mas como poderia Laila imaginar que ambos eram amigos? Ela também nunca foi adivinha, além de ser uma azarada de carteirinha.
Uma história de amor à primeira vista não poderia terminar assim. Com muito impulso, ela puxou Nina e Alícia e foi procurar por Dionísio. Achou. Ele estava parado sozinho encarando-a profundamente. Como de costume, aqueles olhos azuis puxaram Laila para perto dele de um modo tão involuntário que ela nem se deu conta de que já estava em seus braços novamente. Eles se abraçaram apertadamente e ficaram ali por um tempo, somente eles, parecia que o resto do povo havia desaparecido. Eles conversaram muito. Laila teve a impressão de que já conhecia Dionísio há muito tempo. Dos seus sonhos. Pois bem, só se fosse.
“Você é linda Lailinha. Linda mesmo.” Disse Dionísio sorridente.
“Obrigada!” respondeu Laila timidamente, e sem coragem de falar mais nada.
“Jamais parei de pensar em você desde o dia em que te conheci. Sempre te procuro lá na faculdade, mas é raro os dias em que eu te vejo.” Continuou ele, com aqueles olhos mais vivos do que nunca.
“Eu também nunca te vejo. Acho que temos horários de aula diferentes, por isso nos desencontramos.” Respondeu ela, sentindo que seu coração a qualquer momento poderia sair pulando de dentro de seu peito. O tempo poderia muito bem parar naquele momento. Tudo parecia estar perfeito. Não havia problema que apagasse a alegria que Laila estava sentindo naquela hora. E um confortável silêncio se fez.
Dionísio quebrou aquele silêncio perfeito com a crucial pergunta:
“De onde você conhece Zé Roberto?” perguntou ele sério.
“Olha, não conheço direito, acho que o conheço de uma festa, por que me pergunta?” respondeu Laila nervosa (acha que o conhece de uma festa??? Então jure.)
“Porque ele me disse que te conhecia, mas que você nunca o tratou muito bem. Mas você faz bem em não ‘dar moral’ a ele, em minha opinião, ele é meio louco.” Disse ele, para a surpresa de Laila, risonho.
“É, eu sei que louco ele é. Todos falam isso.” Disse Laila aliviada.
“Sim, ele tem fama de não ‘não bater bem da bola’. Louca seria você se ‘desse moral’ a ele.” Falou um risonho Dionísio.
Mas que alívio para Laila, não? Zé Roberto não havia contado sobre o breve envolvimento que ele e Laila tiveram. Mas por que será? Será que se ele contasse, Dionísio não acreditaria e ainda fizesse chacota? As verdadeiras razões de Zé Roberto ela não sabia. Mas o que isso importava? Laila estava feliz. Isso sim importava.
Após um longo tempo, Dionísio perguntou a Laila:
“Posso te levar embora?”
“Ai! Não vai dar. Vou dormir na casa de Nina, já combinamos tudo.” Mentiu a burra da Laila. Ui se arrependimento desse dinheiro, Laila com toda certeza seria a garota mais rica do mundo.
“Mas que horas você deverá estar em casa?” perguntou um Dionísio esperançoso.
“Umas dez da manhã. Por que?” respondeu Laila (sim aquela burra) sem entender muito o porquê da pergunta.
“Então, vamos comigo agora e, às dez, eu te devolvo para a tua amiga e você vai para a tua casa. Por favor, vem comigo que você não se arrependerá.”
“Realmente não posso. Já combinei tudo com Nina e não vou faltar com ela” respondeu a burra Laila.
Indignante, ela poderia dormir na casa de Nina quando quisesse, a sua amiga com certeza não ficaria chateada com ela. Ao contrário, ela a apoiaria com toda certeza. Mas não, Laila é demasiadamente idiota de não ir com ele.
“Tudo bem. Mas ainda essa semana a gente sai de novo. Você me promete?” perguntou Dionísio com seus olhos azuis.
“Prometo.” Respondeu a burra.
“Então me liga? Sempre eu que ligo, agora é a tua vez. Quero que você ligue para mim.”
“Ligarei”
“Tudo bem. Preciso ir.” Falou o príncipe de olhos singulares. E após um interminável e mágico beijo, foi embora.
