quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Balada de ônibus e ingressos baratos.

Uma coisa Laila já havia percebido. A noite prometia... micos. Estavam elas quatro, naquele ônibus lotado. Entre a diversidade de pessoas lá dentro, havia um garoto loiro, alto e de olhos azuis que remeteu a Laila a imagem de Dionísio. Estava demorando. Por um momento, Laila sentiu a falta do perfeito-de-olhos-azuis-que-a-fizera-sonhar, mas logo em seguida, ela se lembrou da palavra de ordem daquela noite: DIVERSÃO.

Bella não parava de repetir: "Meninas, vamos descer antes, ninguém pode nos ver chegando de ônibus. Muito menos um conhecido"

Laila concordava plenamente, Um conhecido, ou conhecida verem-nas chegando de condução coletiva na balada? Nem em seus pesadelos.

O problema era que, onde tinha antes duas loiras, agora eram quatro. As duas Bellas, Janice e Laila. Bella e Janice eram de outra cidade, não conheciam os caminhos, E como Laila e Bella raramente andavam de ônibus na vida (muito menos à noite), não sabiam direito onde descer. Mico à vista.

O ônibus já estava passando em frente ao local do show, lotado e vagarosamente. A "boa notícia", era que lá havia um ponto de parada e obviamente, o ônibus parou. Bella berrava:
" Vamos descer depois, pelamordedeus, aí voltamos o caminho a pé."
"Não tem necessidade. Nada a ver se descermos aqui." Disse Janice sem paciência.
Laila começou:
" Nãããããããão. Vamos pra frente, aqui tem muita gente, e é claro que algum conhecido nos verá."
Mal Laila terminou de falar, um cara lá fora gritou:
"TENHO INGRESSOS A 10 REAIS!!!"

Laila deu um salto do ônibus que obrigou as outras três a irem atrás. Foi tudo tão rápido que todos os passageiros do ônibus deram risada, inclusive o clone-do-Dionísio-que-encarava-Laila. Tudo bem. Ingresso barato garantido.

Laila e Bella praticamente assediatam o vendedor de ingressos, que para se ver livre delas, chegou a aceitar pechinchas. Ingressos comprados. Hora de entrar no show.

Programa de índio. As farofeiras Laila e Bella.

Após a entrega do dinheiro para a compra dos ingressos do show, Laila (a pé) e Bella saíram em disparada para conseguir achar algum lugar que vendesse os ingressos... às 10 da noite. Deus as ajude. Como elas estavam a pé, o recurso foi pegar a condução pública, transporte coletivo.

Ai meu Deus, que coisa de pobre. Mas Laila já estava mais do que envolvida em tudo isso, agora ela iria até o fim. E outra, a ordem era se divertir, e muito.

O combinado era: Laila e Bella chegariam ao terminal e encontrariam a xará de Bella, a outra Bella acompanhada de sua amiga Janice. Laila não fazia idéia de quem eram elas. Mas se Bella garante que elas são legais, Laila confia.

Quando o ônibus chegou ao terminal, Laila e Bella estavam com o dinheiro contado para a compra dos ingressos, elas teriam que sair de lá de dentro do terminal e rezar para achar algum lugar aberto com ingressos baratos. Já que Laila iria a um show de pagode, não ía pagar mais caro por isso. Seria o fim.

De repente, Bella teve um desejo, como se estivesse grávida:
" Quero comer coxinha!" exclamou, acendendo o mesmo desejo em Laila.
" Ora, teremos que sair do terminal, de ualquer forma, além dos ingressos, compraremos coxinhas." Laila deu a idéia.
"É. Coxinha tem em qualquer boteco." concordou a animada Bella, enquanto as duas saíam do terminal. Foi aí que começaram as trapalhadas.

O local que vendia ingressos antecipados (e mais baratos) já havia fechado, e o pior, todos os botecos em que elas entravam, tinham o ítem coxinha em falta. Até elas acharem em uma lanchonete um risóles de frango. Parecido pelo menos.
"É melhor que comamos isso logo, ou pagaremos mico frente a Bella e Janice." Disse Bella.

As duas praticamente engoliram o risoles inteiro e voltaram ao terminal. Dentro do terminal havia um barzinho com duas enormes coxinhas na "vitrine". Laila e Bella se entreolharam e murmuraram em coro:
" Duas loias juntas, não dá uma!"

Não demorou muito, a xará de Bella e sua amiga Janice chegaram. Bella as apresentou para Laila, que fez amizade com elas rapidamente.

Deste modo, as quatro pegaram o próximo ônibus com destino ao local do show. Ônibus lotado por sinal. Elas precisavam se cuidar, para não passar vegonha, não transparecer que elas estavam indo até uma balada de ônibus. Ô coisa de pobre, hein?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Regra número 1: nunca depender do Home

Passado o churrasco dos calouros, o episódio do beijo entre Laila e o calouro de engenharia elétrica, e seu tele desentendimento com Dionísio, tudo estava indo bem. Os pais de Laila estavam se preparando para uma viagem de férias para Salvador-BA.

Laila teria que passar uma semana em casa, sozinha, com seus dois irmãos e sua avó para cuidar da pirralhada. Tudo certo. Era uma quinta-feira, Laila estava na casa de Bella, na sexta-feira, teria um show de um grupo de pagode: Pagodando, o nome. Laila odeia pagode, Bella ama. E mais, ela ama pagodando. Problema, não. Laila tinha como conseguir ingressos grátis. O pecado foi contar a novidade a Bella.

"Nossa. Aí você vai comigo né?" implorou Bella empolgada.
"Bella, meu amor, eu não gosto de pagode." respondeu a paciente Laila. "Eu não vou".
"Mas sair sem você não tem graça! Vamos, por mim!" insistiu Bella.
"Tudo bem. Se eu conseguir ingressos, eu vou." se rendeu Laila.
"Obaaaa! Aí você vai conhecer a minha xará, a Bella. Aí vamos juntas né? Você vai amar Bella."
"Sim. Sei que vou." Disse Laila rindo da empolgação de Bella.

Elas combinaram tudo para o dia seguinte. Os pais de Laila já estavam na Bahia, e ela teria que se virar para ir ao show... de pagode. 

O que não fazemos por nossas amigas? Tudo bem, seria divertido, ela estaria na companhia de sua melhor amiga.

O pai de Laila encarregou seu subordinado, Home, de providenciar ingressos para Laila. Assim, Laila registrou o telefone do Home em seu celular para que na noite de sexta-feira, ela pudesse ligar para ele.

E chega a noite de sexta-feira, Laila estava na casa de Bella e logo ligou para o Home.
" Alô" disse a voz do Home.
"Oi. É a Laila. Tudo bem?" sempre educada, Laila. " Quero saber dos ingressos. Você conseguiu?"
"Desculpa Laila, mas não vai dar" respondeu o insensível Home.
"Tudo bem. Tchau." falou Laila triste e aliviada ao mesmo tempo.

Agora que Laila havia se acostumado e se animado com a idéia do show do Pagodando, ela não ía mais? Ah não! Ela ligou para seu pai.
"Pai, o Home não tem os ingressos!" disse Laila com a voz chorosa.
" Como não? Espera, filha, vou ligar para ele. Já te ligo." respondeu o pai de Laila encerrando a ligação.

" Bella," disse Laila. "O meu pai vai falar com o Home. Ele tá bravo. Coitado do Home."
"Ahh, esse Home, se não era pra dar certo, por que prometeu?" respondeu a indignada Bella.

O celular de Laila tocou novamente. Era seu pai dizendo que o Home daria um jeito de dar ingressos à Laila e Bella. Elas vibraram. O celular de Laila tocou uma outra vez. Era o Home:
"Laila, daqui a pouco passarei em sua casa e deixarei dois ingressos com você, ligarei quando estiver perto", e desligou o telefone.

Laila ficou eufórica. 
"Bella, o Home vai lá em casa. Precisamos correr para lá."

As duas saíram em disparada para a casa de Laila, esperar o Home, enquanto elas se arrumavam para ir ao show, o celular de Laila tornou a tocar
" O HOOOOOMEEEEEEE"  gritaram Laila e Bella em couro. Um dos irmãos de Laila olhou assustado para  as duas.

Laila olhou em frente a sua casa, Lá estava o Home:
"Oi. Eu quero entregar o dinheiro para que vocêsa comprem o ingresso. Ordens de teu pai." disse o Home.
"Não. Dinheiro não." começou Laila, mas o Home insistiu repetindo:
" Ordens de seu pai" e saiu.


Existe só Dionísio no mundo??

Era manhã de sexta-feira. Laila havia se esquecido completamente do churrasco para os calouros de moda e engenharia elétrica. E o pior: ela precisava bolar algum apetrecho para seu calouro sorteado, Léo. Era complicado, Laila não o conhecia e sabia vagamente quem era o indivíduo. Ela não conseguia pensar em nada, pois Dionísio povoou sua mente durante a noite.

O problema era que o churrasco era no presente dia, às quatro da tarde e Laila precisava levar o “presentinho” a ele até esse horário. Como a única informação que ela tinha sobre o calouro era que ele passou no vestibular de engenharia elétrica na primeira colocação, ela resolveu “homenageá-lo” com o apetrecho. Partindo do princípio de que as acadêmicas de moda têm criatividade de sobra, com Laila não poderia ser diferente, ela fez uma camiseta Pink com purpurinas, plumas e paetês. Com o número 1 na parte de trás, e na parte de frente com os dizeres: “é só mandar e eu desço até o chão, chão, chão!” O coitado não teve escolha sem ser usar e obedecer a Laila em tudo.

O churrasco foi perfeito. Como Laila estava com o coração partido por conta de Dionísio, ela queria ir lá para esquecê-lo, mesmo que só por uma noite. No mundo dos universitários, o melhor remédio para dor-de-cotovelo é beber, beber e beber. Foi o que Laila fez. Ela se embriagou, ainda mais porque os calouros estavam servindo cerveja, ela precisava beber.

Estava Laila bebendo e dançando com suas colegas de curso, Léo chegou ao local da festa. Um dos calouros que já conhecia Laila (que já estava torta) avisou-a da chegada do seu calouro sorteado. E que ele estava lá fora, com outros garotos. A “alegre” Laila chegou ao meio dos garotos e perguntou:
“QUEM AQUI É LÉO?”
Um garoto se manifestou. Ele não era bonito, mas tinha o seu charme. No começo, Laila não achou nada interessante nele. Pois bem, era um garoto magricela demais para o gosto de Laila, cabelos castanhos, olhos castanhos e estatura média-baixa.  Ele é gente boa.
“ Sou eu. Você é a minha veterana?” perguntou o magricela.
“Sim. Aqui está meu apetrecho. Você vai usar.” Ordenou a torta Laila.
“Claro. Uso com todo carinho.” Respondeu Léo vestindo a camisa purpurinada.

Laila voltou a dançar com suas amigas. Elas dançaram, riram, beberam, cantaram, se abraçaram muito. Foi um momento realmente divertido. Mas algo faltava. Laila ainda sentia falta de Dionísio. Por muitas vezes engolia o choro toda vez que ouvia uma música sertaneja. Apesar de tudo, a noite foi perfeita.

Depois de tanto dançar, algumas das amigas de Laila já haviam ido embora. Umas andando, outras carregadas. Normal. Porém Laila não queria ir embora, se ela fosse embora ela choraria lembrando-se de Dionísio. Até que em uma determinada hora, Léo chamou Laila para conversar, e ela foi.
“Amei te conhecer. Eu na poderia ter sido sorteado para melhor veterana.” Flertou Léo.
“Ah é? Que bom. Me dá um gole?” perguntou Laila tomando o copo de cerveja que estava na mão de Léo.
“Veteraaaaana, você está bebendo demais.” Dizia Léo risonho.
“Nem tô. Aai eu sei que tô. Mas me deixa.” Disse Laila.

Incrivelmente, aquele garoto magricela passou a atrair Laila de uma forma incontrolável. É claro que ela jamais admitiria isso a ninguém. Ela repentinamente sentiu vontade de beijá-lo. E ele correspondia com o olhar. Logo a beijou.

Laila não sabia direito o que estava fazendo, mas estava gostando da situação. O beijo de Léo era muito bom, relaxante, melhor descrevendo o momento. Léo era simpático e carinhoso, apesar de magricela. Foi útil para Laila lembrar que Dionísio não é o único homem do mundo. Não mesmo.