O problema era que o churrasco era no presente dia, às quatro da tarde e Laila precisava levar o “presentinho” a ele até esse horário. Como a única informação que ela tinha sobre o calouro era que ele passou no vestibular de engenharia elétrica na primeira colocação, ela resolveu “homenageá-lo” com o apetrecho. Partindo do princípio de que as acadêmicas de moda têm criatividade de sobra, com Laila não poderia ser diferente, ela fez uma camiseta Pink com purpurinas, plumas e paetês. Com o número 1 na parte de trás, e na parte de frente com os dizeres: “é só mandar e eu desço até o chão, chão, chão!” O coitado não teve escolha sem ser usar e obedecer a Laila em tudo.
O churrasco foi perfeito. Como Laila estava com o coração partido por conta de Dionísio, ela queria ir lá para esquecê-lo, mesmo que só por uma noite. No mundo dos universitários, o melhor remédio para dor-de-cotovelo é beber, beber e beber. Foi o que Laila fez. Ela se embriagou, ainda mais porque os calouros estavam servindo cerveja, ela precisava beber.
Estava Laila bebendo e dançando com suas colegas de curso, Léo chegou ao local da festa. Um dos calouros que já conhecia Laila (que já estava torta) avisou-a da chegada do seu calouro sorteado. E que ele estava lá fora, com outros garotos. A “alegre” Laila chegou ao meio dos garotos e perguntou:
“QUEM AQUI É LÉO?”
Um garoto se manifestou. Ele não era bonito, mas tinha o seu charme. No começo, Laila não achou nada interessante nele. Pois bem, era um garoto magricela demais para o gosto de Laila, cabelos castanhos, olhos castanhos e estatura média-baixa. Ele é gente boa.
“ Sou eu. Você é a minha veterana?” perguntou o magricela.
“Sim. Aqui está meu apetrecho. Você vai usar.” Ordenou a torta Laila.
“Claro. Uso com todo carinho.” Respondeu Léo vestindo a camisa purpurinada.
Laila voltou a dançar com suas amigas. Elas dançaram, riram, beberam, cantaram, se abraçaram muito. Foi um momento realmente divertido. Mas algo faltava. Laila ainda sentia falta de Dionísio. Por muitas vezes engolia o choro toda vez que ouvia uma música sertaneja. Apesar de tudo, a noite foi perfeita.
Depois de tanto dançar, algumas das amigas de Laila já haviam ido embora. Umas andando, outras carregadas. Normal. Porém Laila não queria ir embora, se ela fosse embora ela choraria lembrando-se de Dionísio. Até que em uma determinada hora, Léo chamou Laila para conversar, e ela foi.
“Amei te conhecer. Eu na poderia ter sido sorteado para melhor veterana.” Flertou Léo.
“Ah é? Que bom. Me dá um gole?” perguntou Laila tomando o copo de cerveja que estava na mão de Léo.
“Veteraaaaana, você está bebendo demais.” Dizia Léo risonho.
“Nem tô. Aai eu sei que tô. Mas me deixa.” Disse Laila.
Incrivelmente, aquele garoto magricela passou a atrair Laila de uma forma incontrolável. É claro que ela jamais admitiria isso a ninguém. Ela repentinamente sentiu vontade de beijá-lo. E ele correspondia com o olhar. Logo a beijou.
Laila não sabia direito o que estava fazendo, mas estava gostando da situação. O beijo de Léo era muito bom, relaxante, melhor descrevendo o momento. Léo era simpático e carinhoso, apesar de magricela. Foi útil para Laila lembrar que Dionísio não é o único homem do mundo. Não mesmo.
