Nina ficou remoendo maneiras de encontrar Pedro, sem que precisasse da intervenção de Carlinhos, antes de adormecer. Como ela faria? Será que havia alguma recíproca por parte dele? Como os dois puderam dar tanta bobeira de não manter contato.
Laila estava tão cansada que já estava dormindo há horas. Sonhou a noite toda com Dionísio, que como uma verdadeira "praga", não saía de seu consciente. Ele a chamava pelo nome, e seus olhos azuis cresciam a medida que seu rosto diminuía. Até que chegou um momento em que apenas apareciam os olhos e o rosto sumia. Quando Carlinhos gritava: "toooooma seus olhos azuis!". Foi de longe, o sonho mais estranho que se poderia sonhar.
Já era quinta-feira, uma hora da tarde, quando Laila e Nina acordaram. Não parecia que elas tinham dormido tanto. Laila contou seu sonho à Nina, que riu muito e aconselhou que Laila se distraísse desses assuntos, pelo menos até tranquilizar e normalizar tudo novamente.
Nina disse à Laila que não parou de pensar em Pedro antes de dormirem:
" Eu precisava de algum contato com ele, fazer ele por acaso me ver em algum lugar. Precisávamos dar continuidade a nossas conversas." Nina estava afoita, a procura de idéias, quando Laila lembrou de algo relevante.
" Calma, Nina... Ele falou o sobrenome? O nome de seus pais?"
" Sim, ele me mostrou seu passaporte, pois está de viagem marcada para Tóquio no mês que vem que isoo me ajudaria?" Nina não estava entendendo nada. Acompanhar a criatividade excessiva de Laila era uma árdua tarefa.
" Realiza Nina, eu sei que a família dele é daqui da cidade, vamos atrás de uma lista telefônica. Se você lembrar o nome do pai dele, fica mais fácil. Pegamos o número de telefone, ligamos para confirmar se é ele mesmo. Se for, pegamos o endereço. Na contracapa da lista, temos o mapa da cidade e assim descobrimos a rua que Pedro mora, e vamos passar por lá. Assim, bem por acaso. O que acha?" Sugeriu Laila.
Nina estava pasma, descobrir onde Pedro mora, antes que ele viajasse, era uma ótima idéia. E o único plano cabível que tinham em mãos. Ela analisou os prós e contras, e depois de muito discutirem, Nina achou melhor arriscar. Era questão de vida ou morte, além de que seria divertido garimpar pela cidade atrás do príncipe Pedro.
Nina, por sorte, lembrava o nome do pai de Pedro e o sobrenome da família. É que ela tinha visto no passaporte, e por intuição, decorou a parte que estava indicando a filiação. De alguma maneira isso lhe seria útil. E ela sempre acertava quando confiava em sua intuição.
" Procura lá, Laila, o sobrenome é Alves e o nome é Marcelo!" guiou Nina enquanto Laila estava folhando a lista telefônica.
"Nina, tem no mínimo uns sete Marcelos Alves, vamos ligar para todos e chamar pelo Pedro."
"Nãããão, e se o próprio atender??" desesperou-se Nina
" Aí ele poupa o trabalho de alguém chamá-lo. Confia em mim, quando ele atender, desligamos o telefone na cara. Qual o problema?" Laila estava confiante.
" Mas e se tiver identificador de chamadas?" Nina pensou realmente em tudo. Como fariam? E se retornassem? Iriam descobrir a armação?
" Eu vou configurar o aparelho para que não identifique o número. Vamos Nina, você quer ver o Pedro outra vez ou não?" , perguntou Laila em tom de incentivo. Nina se animou e confiou na amiga, ditando assim o primeiro número da lista.
" Alô?" atendeu uma voz feminina.
" Bom dia, da onde fala?" Laila respondeu.
" É da residência de Marcelo Alves, com quem gostaria de falar?"
" Pedro. Ele se encontra?" , ela arriscou esperançosa.
" Pedro? Não mora ninguém aqui com esse nome." respondeu humildemente a mulher.
Laila, desligou o telefone e gritou:
"Niina, dita o próximo", Nina ditou e dessa vez era um homem que atendeu.
"Pedro? Claro, vou chamar. Mas pode adiantar o assunto?"
" É que eu tenho dúvidas com traduções em alemão, será que ele pode me ajudar?" quando Laila terminou a frase Nina fazia sinais negativos, e estava muito vermelha, rindo sem parar.
Laila precisava de pistas para saber se o Pedro do telefone era o mesmo Pedro que elas procuravam.
Outra voz falava na linha:
" Oi, quem fala?" , como o telefone estava no viva voz, Nina reconheceu a voz de Pedro e rapidamente desligou o telefone, muito nervosa.
" A gente conseguiiiiu!!!" comemoravam elas. Logo Laila anotou o endereço para que depois do almoço as duas saíssem à procura, com o mapa em mãos.
A mãe de Laila chamou as meninas para almoçarem. Depois, Laila pegou o carro e elas saíram à procura do endereço anotado e guiadas pelo mapa.
Quando chegaram na rua indicada, elas andavam vagarosamente procurando o número correspondente. O plano era, quando achasse a casa, elas parariam o carro em um lugar estratégico, escondido e apenas Nina desceria e andaria a pé na quadra da casa de Pedro. Ao menos ela veria onde ele mora, se não desse a sorte de ele estar por perto e a avistar. Assim, ela teria que exercitar sua criatividade novamente, e inventar uma desculpa para estar passando por lá naquela hora.
O plano foi colocado em prática. Nina saiu em direção à rua e quadra encontrada. Ela fingiu que estava procurando algo no chão. Quando Pedro a encherga da sacada de sua casa e a chama de longe.
Era perfeito demais pra ser verdade. Nina mal conseguia responder. Quando ela pensou em uma desculpa para falar, Pedro se adiantou:
"Achei que não fosse mais ver você, agora não vou mais deixar você fugir sem antes me passar seu telefone"
Nina passou seu número, sem acreditar no que estava acontecendo. Ela tremia muito e as palavras escorregavam de sua boca.
" E-eu estava ca-minhando por aqui, acho que Laila está vindo me b-buscar agora, ela está me ligando. Adorei passar o número de meu telefone pra você, beijos e tchau."
Ela correu em direção ao carro de Laila que assistiu a cena de longe, rindo incontrolavelmente. Nina chegou ofegante.
" Vai Laila, dirige, eu estraguei tudo, acredita que eu simplismente falei: 'adorei passar meu telefone pra você'!? Que criatura em juízo perfeito falaria uma barbaridade assim?"
Laila ria mais do que seu corpo poderia aguentar, e dirigiu em direção a sua casa. Nesse ponto elas eram muito parecidas, falavam muitas abobrinhas quando estavam nervosas, principalmente quando o assunto era garotos.
Quando retornaram à casa de Laila, o celular de Nina apita, indicando mensagem. Era Pedro:
" Adorei que você me passou seu número, vou guardar com todo o carinho. Beijos"
Nina se tranquilizou quando leu. Ela ao menos agora estava mantendo contato com ele. Agora precisva se preparar para voltar a sua cidade, ainda eram férias. Mas ela precisava se organizar para o início das aulas e voltar a Londonlândia para estudar.
Enquanto Laila recebia ligações diárias de Zé Roberto, esperando que um dia Dionísio se lembre que ela anotou o seu número no celular dele também e resolva ligar como o outro rapaz fazia. Não restava dúvidas, era Dionísio que Laila queria, já era hora de dispensar Zé Roberto. Mas como parar de atender as ligações de um rapaz tão querido? Bem, esse é um assunto para um outro capítulo.
